Temer diz que Rocha Loures deve assumir responsabilidade por recebimento de dinheiro da JBS

O presidente Michel Temer afirmou a aliados que o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) deve assumir a responsabilidade pelo recebimento de R$ 500 mil do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS. Pessoas próximas a Temer afirmam ter recebido indicações de que o parlamentar, que foi assessor especial do presidente, estaria disposto a confirmar esta versão. Os relatos foram feitos por quatro aliados de Temer, segundo o jornal “Folha de S.Paulo”.

Essa explicação vem sendo tratada no círculo de Temer como a principal defesa do presidente desde que informações sobre a delação de Joesley vieram a público. Em conversas com aliados e auxiliares desde a noite de quarta-feira (17), o presidente se defendeu das acusações feitas na delação, disse que não autorizou qualquer entrega de dinheiro a Rocha Loures e que o deputado deveria se explicar sobre o caso.

Temer também afirmou estar seguro de que, na conversa que Joesley gravou, ele “não disse nada de comprometedor”, nas palavras de um ministro. Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley, um dos donos do grupo JBS, segundo delações de executivos do grupo. Loures teria sido indicado por Temer para resolver uma questão de interesse do grupo, segundo Joesley. A afirmação foi publicada pelo jornal “O Globo”.

Rocha Loures está em Nova York, onde fez uma palestra sobre política brasileira a investidores internacionais. Ele divulgou nota na noite de quarta-feira (17) em que afirma que vai “se inteirar e esclarecer os fatos divulgados” quando voltar ao Brasil – o que está previsto para esta quinta-feira.

Segundo a delação, Joesley pediu ao presidente Temer uma ajuda para resolver uma pendência de seu grupo no Cade, órgão de controle da liberdade de concorrência. O empresário disse à Procuradoria que Temer lhe sugeriu procurar Rocha Loures.

O deputado foi assessor especial da Presidência até março, quando voltou à Câmara no lugar do ministro da Justiça, Osmar Serraglio. No governo Dilma Rousseff, foi chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência, quando o cargo era ocupado por Temer.

Segundo o jornal “O Globo”, Joesley se encontrou com Loures e pediu ajuda em questão que envolve o preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE, usina do grupo J&F.

O empresário afirma na delação que Loures ligou para o presidente em exercício do Cade e pediu solução para o caso, em troca de R$ 500 mil semanais por 20 anos. A entrega do dinheiro, feita por Ricardo Saud, diretor da JBS e um dos sete delatores, foi filmada pela PF.

SEM RENÚNCIA

No gabinete presidencial, onde tenta esboçar uma estratégia de reação à crise política, o presidente avaliou que passa uma situação muito “desagradável” e “ruim”, mas que irá enfrentá-la até o fim.

Reunido com ministros e parlamentares, ele lembrou que, durante a sua vida pública, passou por situações difíceis, mas que sempre conseguiu contorná-las e não irá renunciar ao cargo.

Ele avaliou que o vazamento da delação premiada é uma espécie de “conspiração” contra a gestão peemedebista para “atrapalhar” e “abalar” a recuperação econômica.

Segundo relatos de presentes, o peemedebista afirmou ainda que fará o pronunciamento mesmo que os áudios das gravações não sejam divulgados nesta quinta-feira (18).

O Palácio do Planalto ingressou com requerimento para que as gravações sejam disponibilizadas à gestão peemedebista. (Folhapress)