Vítima de ataque brutal do ex-namorado, mulher presta depoimento em Franca, SP

A mulher que sobreviveu ao ataque brutal do ex-namorado no estacionamento de um supermercado em Franca (SP) prestou depoimento à polícia nesta segunda-feira (15). Juliana Proença Ferreira, de 36 anos, teve alta do hospital no início de maio, após ter sido baleada seis vezes e atropelada por ele. Ao delegado, ela afirmou que foi ameaçada de morte pelo ex-companheiro um mês antes do crime, porque ele não se conformava com o fim do relacionamento de 20 anos.

Na semana passada, a Justiça decretou a prisão temporária de Donizete Luís de Pádua, que segue foragido.

Segundo o delegado Márcio Murari, o advogado de Pádua entrou em contato com a polícia e afirmou que ele pretende se apresentar nos próximos dias.

Depoimento

Ainda com dificuldades para andar por causa dos ferimentos causados, Juliana falou à polícia nesta segunda-feira por quase duas horas. Ela não quis dar entrevista, mas mostrou as marcas dos tiros pelo corpo.

O ataque aconteceu no dia 25 de abril no estacionamento de um supermercado no bairro Vila São Vicente. Câmeras de segurança registraram o momento em que Pádua atirou contra a vítima e passou com o carro em cima dela. Testemunhas do crime conseguiram tirá-la do caminho do ex-namorado antes que ele passasse com o veículo pela segunda vez sobre o corpo dela. Uma cliente do estabelecimento foi ferida de raspão por um dos disparos.

De acordo com o delegado, a mulher afirmou que atendeu ao pedido do ex-namorado para um último encontro, já que ele pretendia deixar a cidade e se mudar para Mato Grosso ou Tocantins. Ao chegar ao local, ela foi surpreendida por Pádua, que estava armado.

“Ele queria que ela entrasse no veículo e ela se negou por que em outra ocasião ele a teria levado à força e teria ameaçado de morte. Ela se negou e foi o momento que ele sacou a arma. Ela chegou a sentar, pedir, implorar para que ele parasse com aquilo, mas ele insistia dizendo que ele ia acabar com a vida dela.”

A mulher contou ao delegado que havia sido ameaçada por Pádua em março, porque ele estava inconformado com o término do namoro de 20 anos. Segundo ela, a relação se desgastou no ano passado porque eles passaram a se ver com pouca frequência devido ao trabalho dele em uma usina.

“Ela teve uma ameaça de morte, inclusive ele chegou a levá-la em um veículo pra um local aqui na cidade e a ameaçou novamente, mas depois ele retornou e a deixou em casa”, diz o delegado.

A vítima, no entanto, não chegou a dizer que era agredida pelo ex-companheiro enquanto eles estavam juntos.

Polícia

Para Murari, não há dúvidas de que Pádua planejou a ação e o depoimento da vítima reafirma as provas obtidas pela polícia até o momento.

“Tudo o que nós já havíamos colhido com depoimentos, as imagens, ela veio somente a confirmar que houve a premeditação, que a motivação do crime foi o rompimento e que não há dúvida da autoria quanto ao Donizete, dos disparos e do atropelamento.”

O delegado aguarda a apresentação do suspeito para concluir o inquérito.