Saiba o que os delatores da JBS dizem sobre os políticos do PT

O STF (Supremo Tribunal Federal) liberou, na sexta-feira (19), o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e do diretor da J&F Ricardo Saud na Operação Lava-Jato, que resultaram na abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer (PMDB), o senador afastado Aécio Neves (PSDB) e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

Nas delações, os executivos também citam pagamentos de propina para campanhas do PT, “compra” de apoio político pelo partido e atuação de membros da legenda em benefício da empresa. Confira abaixo as acusações:

US$ 150 milhões para campanhas

Joesley Batista disse que transferiu para contas no exterior US$ 70 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 80 milhões em uma conta, também no exterior, em benefício da ex-presidente Dilma Rousseff. Os montantes, afirmou, foram enviados por meio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e gastos “tudo em campanha”. O empresário falou que tanto Lula quanto Dilma tinham conhecimento dos repasses.

R$ 35 milhões por apoio a Dilma

Ricardo Saud afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 35 milhões em propina a cinco atuais e ex-senadores do PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de 2014. De acordo com Saud, que assinou acordo de delação premiada, receberam o dinheiro os senadores Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE, presidente do Senado) e Renan Calheiros (AL), além do ex-senador Vital do Rego, hoje ministro do Tribunal de Contas da União.

“Compra” do PMDB

Saud também afirmou que o PT usou dinheiro de propina dada pela empresa para “comprar” o PMDB nas eleições de 2014. “Eles [PT] compraram o PMDB e faziam o que queriam com o PMDB. O PMDB pegava o dinheiro e gastava também do jeito que queria”, disse.

Saud foi questionado por um dos procuradores se, ao distribuir a propina da JBS, “via” a campanha de Dilma e Temer em 2014 como uma só ou separadas. “Não, uma campanha só, era uma campanha única. O dinheiro saída do PT e ia para o PMDB, do PMDB pro PT”, revelou.

R$ 350 milhões em propina

Saud disse ainda que foram depositados R$ 350 milhões em propina em uma conta corrente da J&F com o PT. Segundo ele, o dinheiro foi usado na campanha presidencial de 2014 e para “comprar” partidos para fortalecer a coligação – PMDB, PR, PP, PCdoB e PRB. Segundo o executivo, “Temer participava de tudo e a Dilma, um pouco mais distante”.

Campanhas estaduais

Saud contou que parte da propina destinada ao PT durante a campanha de 2014 foi distribuída a candidatos a governadores. Ele cita Antônio Gomide (PT-GO), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Alexandre Padilha (PT-SP) e Fernando Pimentel (PT-MG). Segundo o empresário, Joesley acertava como o esquema ia funcionar com o ex-ministro Guido Mantega.

R$ 150 milhões por votos contra o impeachment de Dilma

Joesley afirmou que o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) pediu-lhe R$ 150 milhões para comprar votos contra o impeachment de Dilma Rousseff. Segundo ele, um dia antes da votação na Câmara, Bacelar o procurou em casa. Nessa conversa, o deputado teria apresentado uma lista com os nomes de 30 deputados e disse que precisava de R$ 5 milhões para comprar os votos de cada um deles.

O empresário contou ter respondido ao deputado que não tinha condições de comprar 30 deputados e autorizou que Bacelar negociasse os votos de cinco deputados, ao valor de R$ 3 milhões cada.

“Mensalinho”

Saud afirmou que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), recebeu o que o delator chamou de “mensalinho” de R$ 300 mil durante 14 meses enquanto era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Segundo ele, o petista recebeu entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões em propina do grupo JBS.

Atuação de Guido Mantega no BNDES

Joesley contou na delação que recebeu US$ 80 milhões em empréstimo do BNDES para a compra da Swift argentina, em 2005. Segundo ele, o dinheiro só saiu por causa de sua proximidade com o ex-presidente do BNDES e ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O empresário relatou ainda que Mantega, já como chefe da Fazenda, também teve participação direta no aporte de US$ 750 milhões do BNDES para a compra da Swift americana. Metade do dinheiro, que era depositado no exterior, ficava com Mantega. Em sua delação, Wesley Batista afirmou que sabia da relação entre Joesley e Mantega e que os dois mantinham uma “conta corrente de propina”.

Propina a governadores

Wesley Batista disse que foi paga propina a dois ex-governadores de Mato Grosso do Sul, o deputado federal Zeca do PT e André Puccinelli (PMDB), e ao atual gestor, Reinaldo Azambuja (PSDB), para conseguir incentivos fiscais e, assim, pagar menos impostos. Segundo o empresário, os pagamentos feitos para Zeca do PT foram como doação de campanha.

Relação com Palocci

Na delação, Joesley fala da relação com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Conta tê-lo contratado para um trabalho de consultoria e que Palocci lhe pediu US$ 30 milhões de doação em 2010, quando virou assessor da campanha de Dilma. O delator não deu mais detalhes sobre o pedido. (AG)